
Na época em que preparava sua individual na galeria São Paulo Flutuante, espaço do qual também foi sócio, Manu Maltez acabou incumbido de cuidar de uma coruja cujo dono havia viajado para fora do país, que foi rebatizada por ele de Madrugada.
A escolha do nome, em referência ao período de tempo entre a meia-noite e o nascer do dia, não foi mero acaso, já que a madrugada sempre foi objeto de fascínio para Manu Maltez.
E é por esse motivo que “Madrugada Até o Fim”, seu quinto álbum – com show de lançamento no Sesc Pompeia dia 13/6 –, surge agora como uma espécie de bravata, uma bandeira em prol da eterna madrugada. Lançado pelo selo YB, o disco foi produzido por Caê Rolfsen, que gravou diversos instrumentos, como cavaquinho e samples, assinou os arranjos ao lado de Maltez e foi co-responsável por imprimir ao trabalho uma sonoridade que flerta com o fantástico.
Nessa produção, que levou mais de dois anos, também participam Thais Nicodemo (piano preparado), Maria “Mange” Valencia (clarinete), Rafa Barreto (rabeca e guitarra), Thomas Harres (bateria), além de Alessandra Leão (voz), Assucena (voz) e Lourenço Mutarelli (voz).
O escritor e desenhista já realizou diversas parcerias com Manu Maltez e co-produziu a faixa “Reptiliana”, composta a partir do livro “O Filho Mais Velho de Deus e/ou Livro IV” (Cia das Letras), que narra a história de um caso entre um homem com identidade trocada e uma mulher suspeita de ser um lagarto.
À diferença dos outros discos de Manu Maltez, cujas canções orbitam em torno de uma única história, caso de “O Diabo Era Mais Embaixo” (Selo Sesc, 2013) ou “O Rabequeiro Maneta” (Rumos Itaú Cultural, 2016), as treze faixas de “Madrugada Até o Fim” foram trabalhadas de forma independente. “São canções solitárias, reflexivas, cada uma com a sua razão de ser, porém soltas nesse mesmo espaço que é uma eterna madrugada”, diz o artista.
A atmosfera que acompanha as treze canções do disco se expande para as treze pinturas que foram realizadas no mesmo período e agora serão expostas no Sesc Pompeia. Não é algo novo para Manu Maltez, que está acostumado a trabalhar entre diferentes linguagens.
O que diferencia o projeto atual, no entanto, é a aproximação de Maltez com uma nova técnica (a pintura) e suas possibilidades para o uso da cor – ao longo de sua trajetória, ele vinha se dedicando à gravura e ao desenho, utilizando sobretudo o preto. Agora, na realização dos novos trabalhos, os traços ganham densidade, mas mantém a ambiguidade da madrugada até mesmo na escolha dos suportes.
Sobre o artista
Como autor de livros, recebeu diversos prêmios, a exemplo de “O Corvo” (prêmios Jabuti e FNLIJ) e “Desequilibristas” (prêmio FNLIJ e catálogo White Ravens). Sua última exposição individual ocorreu em 2021 na Galeria São Paulo Flutuante. Para mais informações sobre o artista acesse: www.manumaltezarte.com.
Lançamento do disco “Madrugada Até o Fim” de Manu Maltez
Data: 13/6. Quinta, às 21h.
Duração: 90 minutos
Local: Teatro do Sesc Pompeia (rua Clélia, 93, São Paulo)
Telefone: (11) 3871.7700
Email: email@pompeia.sescsp.org.br
https://www.sescsp.org.br/programacao/manu-maltez/
Valor: R$ 50,00 (inteira); R$ 25,00 (meia entrada) e R$ 15,00 (credencial plena) Ingressos à venda online a partir do dia 4/6, às 17h, e nas bilheterias a partir do dia 5/6, às 17h.
Lançamento
(Spotify, deezer, amazon music, Apple Music e TIDAL)
videoclipe “O templo do Cachorro Azul”: 10/06 (segunda-feira) https://www.youtube.com/c/ManuMaltez